terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

AMIGOS DO PEITO





“O que ama a pureza de coração e é gracioso no falar, terá por amigo o rei.” (Provérbios 22:11)



Daniel e outros três jovens que pertenciam a linhagem de nobres do povo hebreu. Foram levados como cativos para a Babilônia para servirem na corte do império de Nabucodonozor. Ainda que tenham ido para a Babilônia numa posição até privilegiada, por terem uma linhagem nobre, eles eram escolhidos e treinados para servirem como conselheiros do imperador em relação às culturas e crenças dos povos conquistado, mas eram escravos.  

Sua atitude de filho e servo obediente ao seu Deus o levou a não se contaminar com nada que tivesse naquele reino pagão. Seus amigos o seguiram nesta decisão. Eles firmaram um propósito no coração de se manterem puros, mas eles sabiam que precisavam conquistar a confiança dos homens que tinham que cuidar deles para que estivessem preparados para o serviço do rei. Percebemos que Daniel era o líder daquele grupo de jovens.

Quando lemos o livro de Daniel observamos sua maneira educada, fina, amigável de tratar com todos. Eles estavam escravos fisicamente, mas não eram no espírito, porque eles eram de uma família de nobres de Judá. A condição de escravos não os intimidou não, pelo contrário, os fazia lembrar que precisava ter muita brandura para falar com aqueles homens, a fim de conquistá-los.

Para que eles se mantivessem puros, de acordo com as leis de seu Deus, não poderiam comer qualquer comida, beber qualquer bebida que lhes eram oferecidas do manjar do rei. Só que Nabucodonozor, os queria fortes  e saudáveis, e na concepção do rei, essas comidas eram necessárias para o que se propunha. Todo o cardápio deles havia sido preparado para este fim. Daniel tinha que convencer seu instrutor de maneira que não se sentisse ofendido e o achasse presunçoso. Precisava convencê-lo de que a refeição que ele e seus amigos comeriam, seria tão boa e eficaz quanto a que o rei mandou,  mas sem que essa atitude tivesse a aparência de menosprezar as iguarias da mesa do rei. Ali estava um jovem sábio.

A história narrada mostra que, aquele homem que cuidaria deles havia sido conquistado por Daniel e lhes mostrou bondade e simpatia. Assim ele aproveita a oportunidade e pede que lhes dê permissão para não comerem daquelas comidas e beberem daquelas bebidas, num prazo de dez dias. Fico imaginando como Daniel pediu, com graça, com humildade: “Peço-lhe que faça uma experiência com os seus servos...”(Daniel 1:12) Ele se apresentou na posição que tinha diante daquele homem, é claro. Caso o resultado não fosse satisfatório fariam como os demais jovens que estavam ali se preparando para servirem ao rei, passariam a comer e a beber das comidas da babilônia.

Sabemos que o resultado foi aquele declarado por Daniel anteriormente: “Ao final de dez dias, eles pareciam mais saudáveis e mais fortes do que os jovens que comiam e bebiam a comida da mesa do rei. Assim tiraram a comida ordenada pelo rei e lhes deram vegetais e água.” (Daniel 1:15, 16)

Durante toda a história registrada no livro de Daniel vemos que todos acabavam tendo que testificar a pureza do coração deles que escolheram manterem-se puros. De modo especial Daniel se sobressai tanto no aspecto do seu caráter que conquista o coração, a consideração e a amizade de todos. Rei após rei aos quais serviu durante o cativeiro, o admiravam, mesmo dando, da parte de Deus sentenças duras, quando era chamado para interpretar sonhos ou visões destes imperadores.

Foi colocado como o 1º ministro do império babilônico e elevou a posição dos seus três amigos que, junto com ele, na verdade, serviram como filhos e servos obedientes do Deus soberano ao qual exaltaram sobremaneira, em corte pagã.

É claro que, também, foi alvo da inveja de alguns do reino e atingido por suas maldades, mas até mesmo esses, tiveram que se render à pureza e lealdade de Daniel, e isso foi  registrado: “...procuravam ocasião para acusar a Daniel, mas não puderam achá-la, nem culpa alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa.” (Daniel 6:4) Seus perseguidores tiveram que declarar sobre este servo do Deus altíssimo: “...Nunca acharemos motivo para acusar a este Daniel...”

Observa-se na leitura do livro de Daniel que, nem aos que armaram cilada para pegá-lo em falta,  ele tenha entrado em demanda contra eles. Por conta desta armação foi sentenciado à cova dos leões, fato bastante conhecido de todos. Daniel tinha certeza que só havia uma coisa a fazer, orar, como sempre fazia. Depender do Deus que o havia sustentado em quem confiava e sabia que sua vida estava em suas mãos. Após sair ileso da cova dos leões ele declara: “O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca dos leões... porque foi achada em mim inocência diante dele...” (Daniel 6:22)
 Foi achada inocência nele, que inspiração para nossa vida!

“Amar a pureza de coração...” É viver amando e buscando a santidade, “...sem a qual ninguém verá o Senhor.” Ter vida santa, não é para quem não peca, porque “não há homem que não peque”, mas é para quem teme a Deus e por isso odeia o pecado. É para quem ama sobre todas as coisas, a Deus que é santo e quer ser igual a ele. Viver vida santa é decidir firmemente não se contaminar num mundo cheio dos manjares do príncipe deste mundo. Viver vida santa é andar de modo digno diante daquele que é Digno, por isso merece que eu o honre com minha pureza. É buscar ao Senhor com coração reto para cumprir tudo o que Ele determina na sua palavra.

Daniel, um cativo judeu, que junto com os seus outros três amigos judeus, Hananias, Misael e Azarias, amou a pureza de coração, a integridade e que se manteve fiel ao seu Deus e à sua palavra, se tornou o 2º homem em importância do império babilônico.

A tarefa mais importante, no entanto, de Daniel era a de profeta de Israel. Um profeta de Deus tem que ser parecido com Deus, porque fala da parte de Deus, porque é sua boca.
Dá para pensar num homem que viveu em tal nível de vida, tratar com indiferença e aspereza as pessoas? Principalmente, porque ele sabia que quem o chamara e o colocara naquela posição, foi o Senhor.

Com certeza, ele era uma craque em relações públicas. Alem de ter um caráter puro, Daniel era um sábio e não houve alguém como ele em todo o reino babilônico. Seu relacionamento com as pessoas mostrava com quem ele andava.

 Queridos, alguém que ama a pureza de coração é alguém que sabe que essa pureza tem uma relação direta com o Senhor que é Santo, e que tem haver também, com os nossos relacionamentos interpessoais. Quantas vezes não tratamos as pessoas com graciosidade. Falar graciosamente não é falar com voz de “santo do pau oco”, daqueles que não têm vida em si mesmo. Não creio também, que é falar baixinho e sem entusiasmo. Mas como alguém que tem intimidade com Deus, por isso se importa com as pessoas com quem se relaciona no seu dia adia. Cujo espírito é manso e paciente.

Como ensina Paulo: “habita ricamente a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria... O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um” (Colossenses 3:16; 4:6)

Tendo um propósito firme como esses, atrairemos muitas pessoas a Cristo, e a nós.

Lembram como os reis pagãos foram atraídos  a Daniel, a Azarias, Hananias e Misael, até exaltaram ao Deus deles, colocando-O em destaque entre o povo.  Pensar que eles se tornaram amigos deste homem que nada mais era do que um escravo. Só Deus vivendo plenamente na vida de um ser humano pode fazer algo assim, tão inesperado, radical, impossível aos olhos do homem, mas são coisas de Deus.

Nossas atitudes em relação a Deus e aos homens, podem nos elevar de escravos a amigos de reis. Principalmente amigo íntimo do Rei dos reis.


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